Fontes de alimentação: Eficiência, 80 plus, PFC e fonte genérica

Lucas Peperaio
07/03/2014
Estudos

Fontes, componente de suma importância para o bom funcionamento de um computador. Porém, é um componente muitas vezes deixado de lado, em prol do investimento em peças como processador e placa de vídeo. E isto está errado! A fonte deve ser considerada o principal item de um computador, pois ela irá garantir a alimentação de tudo no computador! Fontes de péssima qualidade podem inclusive explodir e queimar os componentes do seu computador. Meu objetivo com este post é trazer a maior quantidade de informações possíveis de forma simplificada, sem entrar em muitos termos técnicos. Ou seja, este artigo é dedicado a usuários comuns e entusiastas, não a especialistas da área.

 

Eficiência e Selo 80 plus

Uma fonte é eficiente quando ela entrega sua máxima potência rotulada desperdiçando a menor quantidade de energia possível! Qualquer fonte, por melhor que seja, desperdiça energia durante o processo de conversão e retificação, energia essa que acaba sendo desperdiçada em forma de calor. Resumindo, para produzir a potência rotulada, a fonte consome um valor X a mais. E é possível saber qual é este valor através da sua eficiência.

Para separar boas fontes eficientes de péssimas fontes ineficientes, foi criado o programa de certificação 80 Plus, que visa certificar fontes que consigam provar sua eficiência de pelo menos 80% quando submetida a testes de 20, 50 e 100% de uso. Quanto maior a eficiência, maior é o selo a ela atribuída. Veremos a seguir.

Tipos de certificação e relação de carga x eficiência

Tipos de certificação e relação de carga x eficiência

Observem que a fonte é mais eficiente quando está sob 50% de uso, portanto, para ter o máximo de eficiência e o mínimo consumo possível, dimensione sua fonte para que ela possa suprir com folga seus componentes e ainda sobrar 50% de potência. A fonte aquecerá menos e consumirá menos!

Então podemos concluir pela lógica, que não devemos usar fontes exageradamente potentes para PCs modestos! Imagine o seguinte exemplo: Um computador que exiga 150W com uma fonte de 1000W. Note que ele está exigindo menos de 20% da fonte, e mesmo que esta possua o selo 80 plus, sua eficiência não é garantida, já que a certificação exige testes a partir de 20% de uso. Resumindo, abaixo dos 20% a fonte pode ter uma eficiência mais baixa do que se estivesse em 50% de uso. Portanto, usar uma fonte menor, por exemplo, 350W também com o 80 plus, iria garantir a maior eficiência, já que ela estaria sendo exigida em aproximadamente 50%.

Algumas informações importantes sobre o 80 plus:

  • Tome cuidado com fontes 80 plus falsas, na dúvida, consulte o site da PlugLoadSolutions, Lá consta os fabricantes certificados;
  • Fontes 220v são ligeiramente mais eficientes;
  • É possível encontrar o consumo total que está sendo retirado da tomada através da eficiência da fonte. A forma mais eficaz é usando um wattímetro, porém, também é possível calcular de forma aproximada. Se a fonte possui selo 80 plus platinum, e esta sendo exigida em 50% (portanto com eficiência de 92%), 8% será desperdiçado em forma de calor. Então, neste caso, a fonte estará consumindo 8% a mais da rede elétrica para produzir a potência atual. Caso ela estivesse sendo estressada em 100%, sua eficiência cairia para 89%, portanto a fonte consumiria 11% a mais da rede elétrica;

É importante enfatizar que este não é um valor exato, já que a eficiência real varia de acordo com a temperatura e a tensão de entrada, mas permite que você tenha uma boa aproximação.

 

PFC (Fator de correção de potência)

Além da energia realmente consumida pelo equipamento, medida em watts (chamada de potência real), temos a potência reativa (medida em VA), que é exigida pela fonte no início de cada ciclo e rapidamente devolvida ao sistema, repetidamente. A fonte converte corrente alternada em corrente contínua, e a cada ciclo de corrente que chega a fonte, é gerada a energia reativa. A energia reativa tem seus propósitos dentro da fonte. Porém, causa aquecimento e perda de eficiência de forma indireta. Por isso, quanto menos energia reativa for usada, melhor. Para resolver isso, foi desenvolvido o PFC (fator de correção de potência).

Em Fontes sem PFC, a energia reativa é maior. Fontes com PFC passivo garantem de 70 a 80% de energia ativa contra 20% de energia reativa, o que já é alguma coisa! Porém, o mais recomendo é o PFC ativo, que garante até 99% de energia ativa contra apenas 1% de energia reativa. Então, fontes com PFC ativo tendem a ser mais frias e energeticamente mais eficientes.

Algumas informações importantes sobre o PFC:

  • Ao medir o consumo do sistema, deve ser levado em consideração a perda de energia reativa;
  • A energia total que é retirada da tomada é encontrada através da soma de energia reativa com energia ativa, medido em Watts;
  • O PFC ativo é pré-requisito para a certificação 80 plus;
  • Outra vantagem no uso do PFC é a redução na emissão de ruído e interferência eletromagnética por parte da fonte;
  • O PFC é capaz de ajustar automaticamente a tensão de entrada, permitindo que a fonte opere dos 90 aos 264V;
  • O PFC faz o papel do estabilizador, porém com muito mais eficácia e rapidez. Estabilizador só atrapalha fontes com PFC;

 

Fonte genérica

Fontes genéricas ou semi-genéricas não deve ser utilizadas, pois além de não terem o PFC ativo e eficiência mínima de 80%, não possui circuitos básicos de proteção, ou estes são ineficientes. Ou seja, fonte genérica consome mais, esquenta mais, não garante sua potência rotulada e pode simplesmente queimar a si própria os os componentes do computador, por falta de circuitos de proteção.

Exemplo de fonte genérica

Exemplo de fonte genérica

A longo prazo, adquirir uma boa fonte com a certificação 80 plus, que é mais cara que as genéricas, lhe garantirá economia de consumo elétrico. Vou mostrar um exemplo:

Tomando como base um PC de configuração modesta, que consumisse uma média de 100 watts e ficasse ligado 12 horas por dia, teríamos o seguinte:

– Fonte com 65% de eficiência:
Consumo médio: 152.3 watts/hora
Consumo total ao longo de 12 meses: 667 kilowatts-hora

– Fonte com 80% de eficiência:
Consumo médio: 125 watts/hora
Consumo total ao longo de 12 meses: 547 kilowatts-hora

Dentro do exemplo, tivemos uma redução de 120 kWh, que (tomando como base um custo de 44 centavos por kWh) correspondem a 53 reais. Se o PC ficar ligado continuamente, ou se levarmos em conta o consumo ao longo de dois anos, a economia já vai para 106 reais, o que começa a se tornar uma redução significativa.

Ao usar um PC mais parrudo, a econonomia poderia passar de 300 reais!
Portanto, fontes de qualidade não pode ser deixado de lado! Use sempre fontes de qualidade!

3 comentários
  • Gabriel Narde - 11 de outubro de 2014

    Ei Lucas, entendi que se a fonte ter PFC ativo, ela não vai precisar de estabilizador? aquela caixinha, é isso mesmo?

  • Vicente - 12 de setembro de 2016

    Prezado Lucas, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo vídeo acima! Elucidativo!
    Adquiri um i7 6700K com um HD SSD Intel série 540 de 120 Gb. Pretendo investir uma placa-mãe com chipset Z170 com suporte a memórias DDR 4 e dois pentes de 8 Gb de memória DDR4, totalizando 16 Gb e um cooler para soquete 1151 (cooler master hyper 212 evo ou corsair hidro series 55). Possuo um gabinete bitfenix merc alpha:
    https://www.bitfenix.com/global/en/products/chassis/merc-alpha/ , uma fonte spire modelo SP-ATX-500W com 5 anos de uso em aparentemente perfeito estado:
    http://www.cnet.com/products/spire-rocketeer-iii-sp-atx-500w-power-supply-500-watt/specs/
    Um outdo HD SSD Intel série 520 de 180 Gb , além de um drive gravador interno Blu-ray BH16NS40.
    Se eu comprasse um placa de vídeo seria no máximo uma GTX 970 ou AMD equivalente.
    Uma Fonte Corsair CX-750W 80 Plus Bronze – CP-9020015 seria suficiente?
    Desde já agradeço as orientações e atenção dispensada.
    Vicente José

  • Ricardo Viana - 29 de outubro de 2016

    MELHOR EXPLICAÇÃO SOBRE FONTES QUE JÁ VÍ, PARABENS, MUITO BOM.